terça-feira, 30 de junho de 2009

Histórias de Fantasmas - Parte VII

Mais tarde, contou-me que o estabelecimento de que lhe falei havia ardido no mesmo sinistro que acabou com a aldeia. Ainda, esse café, desaparecido hoje era explorado por ela e pelo marido, que coincidentemente ou não, correspondia à descrição do homem com quem falei antes. Essas palavras marcaram-me – Nunca acreditei quando falavam em assombrações nesse sítio, mas um lugar desses, amaldiçoado por Deus, não volta a ter descanso… e a nós, que de lá escapámos, o vai tirando. Cada vez que recordo isto arrepio-me copiosamente, mas não por ter medo de fantasmas ou assombrações. É algo pior. Aquele lugar pareceu-me tão autêntico e continua tão vivo na minha memória que não consigo dizer o que é realidade ou imaginação. Vi os destroços da aldeia e fui até à Vila nova para ver que era bem diferente do que “sonhei”, só o cruzeiro tinha sido aproveitado. O velhote que o empregado do café chamou de J. e que primeiro me avisou da estrada cortada era tão real… que contrastava com as duas habitantes da Villa Flores, aquelas duas almas que perderam o seu mundo no incêndio, isoladas de tudo e de todos, numa solidão doentia.

Sei que todos têm uma história com o seu quê de sobrenatural para contar, sobre alguma situação por que passaram e nunca conseguem explicar totalmente. Até é comum empolgarmo-nos e acabarmos por atribuir o inexplicável a um fenómeno místico qualquer, mas as melhores histórias (e acho que esta é uma delas) são aquelas em que a diferença não é tão óbvia assim.

Histórias de Fantasmas - Parte VI

Uma poça de água. Tépida e fria ao mesmo tempo. Vejo-me sentado numa sopa primordial de suor e lágrimas de terror, qual pensador de Rodin com uma enxaqueca monumental. Só me resta acordar deste pesadelo – e faço-o.

Mesmo antes de abrir os olhos vem-me à cabeça a dor do sonho e estou envolto em água, não, é suor. Começo a processar a tontura que voltou do sono para o despertar. Estou deitado numa cama que se encontra por baixo da janela de um quarto exíguo. As paredes são de um branco amarelado, doente e moribundo, infiltrado pelas humidades no tecto. Sinto-me dorido quando respiro e o coração palpita-me na testa. Atordoado e a desfalecer, fecho os olhos… Seria a noite passada um sonho febril?

Quando volto a mim já não estou sozinho. A figura de uma criança, estende-me qualquer coisa que não tenho força para agarrar. Perante a minha relutância a servil petiz pousa a carga na cadeira abeirada ao fundo da cama e vai-se embora sem um pio. Era um tabuleiro, olho, já desperto. Entra agora uma mulher – Como se sente hoje? – Pergunta-me ela. Respondo com outra questão – O que me aconteceu? – Não se lembra? Não admira. Deve ter batido com força. – Fez uma pausa e recomeçou. A minha filha encontrou-o acidentado ao fundo da estrada. Deve ter-se despistado e por sorte acertou num pinheiro que não o deixou tombar pela ribanceira abaixo. Não admira que me doa cabeça, pensei. – Aqui não temos carro nem telefone, daí que o carregámos para casa a meio da noite. Também não parecia estar ferido com gravidade, porque se mexia e falava. Claro que se me parecesse que corria perigo, eu própria tinha ido à Vila nova buscar o médico. – explicou ela como se quisesse desculpar-se. Eu é que agradeço os seus cuidados e peço desculpa se lhe causei transtorno – respondi, procurando relaxá-la. Passei por uma aldeia no caminho para cá, Vale de Gaios, terá sido. – Sim, nós chamamos-lhe “Vila nova”, porque existia uma mais acima com o mesmo nome, mas foi destruída por um incêndio. Foi nesse fogo que perdi a vista há mais de 10 anos – por esta não esperava. Abriu os olhos, deixando-me ver a lívida retina.

Sabia-o agora, tratava-se da mulher da noite passada, não era agora tão perturbante. O cabelo louro, apanhado com um gancho, parecia mais gasto à luz do dia. As suas feições indicavam que se tratava de uma mulher nos seus trinta e tal anos, embora o cansaço e o desgaste que eram notórios, a fizessem parecer mais velha, tornando-se difícil dizer a sua idade real. No entanto, possuía uma beleza invulgar, que não lhe era natural, isto é, a austeridade que adquiriu ao ter que se adaptar à cegueira conferiu-lhe personalidade nos traços físicos. A mágoa e a dureza da vida não lhe deram este aspecto, antes a resistência e a preserverança se impuseram e lhe permitiram sobreviver num novo mundo, sem luz.

Após um momento de silêncio incómodo, quis continuar a conversa – Vinha à procura da estrada nacional e o dono do café, “Os Três Tios” (penso que era isso), contou-me do incêndio que destruiu a estrada. Por isso, voltei para trás. A expressão dela tornou-se grave – Peço desculpa, porque acabei de me lembrar que tenho afazeres a tratar na cozinha. Volto depois para saber como está. – disse saindo visivelmente incomodada. Instintivamente lembrei-me do dono do café, “Flores”, seria aqui a casa dele?

Histórias de Fantasmas - Parte V

A escada dava para um corredor estreito e liso, sem quadros ou outro tipo de decoração, observei à luz da lua que entrava pela janela ao fundo do corredor que parecia atravessar toda a habitação. Procurei por sinais de vida, ainda que nada o indicasse. - Faz Favor! – tornei a chamar infrutiferamente. Sentia-me já agastado com esta situação toda, pensando se não seria emboscado pelo dono da casa, mas era a indiferença que me inspirava medo. Sabia-o, quase de instinto, que alguém se tinha dado conta da minha invasão e me perscrutava no escuro por alguma fresta, fechadura ou até agachado nalgum canto que me tivesse falhado à vista. Alguém me aguardava furtivamente.

Passos… vinham do fundo do corredor, tornando-se distintos. Estes não eram do mesmo tipo que ouvi antes, estavam mais pesados e vagarosos, até o ranger parecia mais forte. Passa à janela uma mulher, alta e loira, vestida de um branco lívido, eclipsando a iluminação astral que entrava pelo fenestral. - Filha!, vem à mãe, não me ouves?... – gritou ela, no entanto, esta voz não era natural, parecia que se arrastava para um vácuo. Suava agora em bica e sentia o coração a escalar o peito enquanto a estranha saia do alcance ocular. Foi um susto, não se deram conta de ti e foi tudo muito estranho, porque é isso que parece quando se entra por casa de alguém a meio da noite. – pensava para mim, ao tentar aliviar o sucedido da cabeça. Enchi-me de força e fui até à janela do fundo. Nada, não havia nada, o corredor terminava a dois passos para a esquerda numa porta fechada.

Lá fora olhei o quintal, povoado por meia dúzia de árvores de fruto, tirando isso só restava matagal que se adensava em redor da propriedade. Estava tudo disposto num tom cinzento-escuro conferido pelo luar, no entanto, distinguiam-se perfeitamente as culturas e utensílios que vagueavam por ali, até o reflexo da água num pneu velho consegui perceber. Concentrei-me na porta, era só bater e abri-la se necessário, tinha levado já muito longe esta invasão, até para voltar para trás. A ideia afigurava-se bastante tentadora, pelo que, contemplei o corredor vazio de novo.

De súbito, apareceu outra vez a mulher, de costas, preparando-se para descer as escadas. Minha senhora! – chamei, ao dar dois passos para me pôr na sua peugada. Nem foi preciso mais, porque ela se voltou. Era loira, de finas feições, mas para meu espanto, os olhos eram de um branco liquido e a claridade que aparecia nas minhas costas iluminava-lhe os contornos, conferindo-lhe uma aura assombrosa. Andava agora ao meu encontro, em passos pesados e maquinais. E tu não tens sido senão um peso nos nossos ombros! – exclamou, naquela voz cavernosa. Sentia-me completamente imobilizado de terror, enquanto ela avançava para mim tenebrosa e ameaçadora. O seu olhar penetrava para lá da minha razão e quando lhe vi o branco dos olhos, só branco, já a coluna vertebral tinha criado raízes no soalho. Tombei inerte à sua passagem, não sem antes a deixar atravessar-me gelidamente.

Histórias de Fantasmas - Parte IV

Lá em cima, subindo o trilho, vi a silhueta de uma casa grande, ajeitada pelo luar. O ar era agora de um fresco húmido e, talvez fosse do esforço, mas rareava um pouco, tornando-me ofegante. Foi a custo que encontrei a porta da entrada, não me impedindo isso de bater insistentemente, mal me abeirei do alpendre. Não obtive resposta e o baque da minha mão depressa se dissolvia nos ruídos de insectos, roedores e outros caminhantes nocturnos. Num laivo de imprudência, quiçá, coragem, joguei a mão à maçaneta de aço, adornada com uns motivos que não consegui identificar pelo tacto. Abriu. Qual temerário, entrei para encontrar um quarto vazio, era o hall de entrada.

Ouviu-se um ranger de tábuas no piso de cima, como se fossem pequenos passos em corrida, durou apenas alguns segundos e logo tudo voltou à quietude da noite. - Ó da casa! - gritei em plenos pulmões. Não quero mal nem o quero incomodar, mas fiquei sem carro à sua porta e preciso de ajuda para voltar à aldeia. – Não obtive resposta, novamente. O silêncio inquietava-me e estar parado na entrada de uma casa nestas circunstâncias, agravava muito o meu desconforto. A pouca claridade vinda lá de fora, deixava ver um degrau à minha direita. Estava alguém no andar de cima, isso tinha certeza, hesitava era em arriscar uma coça de um pai de família irado, confundindo-me com um larápio. Preciso de ajuda, não tenho nada a esconder nem a temer. – Pus o pé ao degrau e fi-lo novamente, pé ante pé até chegar lá acima.

Histórias de Fantasmas - Parte III

Olhava ao caminho procurando traços familiares do que já tinha visto quando por ali passei em sentido inverso, ainda que não lograsse apontar nenhuma semelhança em particular: era tudo mato em redor, o que para mim não revestia grande interesse. Embora gostasse deste contacto próximo com a natureza, guardava para os edifícios e as cores da cidade o meu maior ânimo e entusiasmo. Como se Gaia me quisesse castigar por estes pensamentos, deixei de ouvir o barulho do motor e a viatura perdeu vida, acabando por desfalecer ao cimo de uma pequena subida.

Encostei e procurei no painel qualquer luzinha acesa, indicativa do que havia de errado com o carro. Nada, tudo normal, até o rádio ligava, apesar de não captar nada há alguns quilómetros. O visor do telemóvel estava nu daquele logótipo de rede e também não permitia chamadas de emergência. Não que quisesse perturbar as autoridades com um carro avariado a uns 20 quilómetros de um povoamento. Claro, porque alguém haveria de precisar mais do que eu, ainda assim, teria sido reconfortante contar com essa opção.

Andava há cerca de meia hora, quarenta e cinco minutos, quando me assalta a ideia de que não fazia ideia de quanto já tinha percorrido, nem sequer já tinha a certeza de quanto seria um quilómetro em linguagem de pedestre. Era tudo mato, recapitulei, no entanto, agora fazia muito mais sentido. O lusco-fusco não duraria muito mais, em breve escureceria definitivamente e eu rodeado de árvores esguias e arbustos sem fim.

Um pé à frente do outro, já sentindo o vento frio no corpo suado, dizia para mim. “Vale de Gaios” estará a uma curva de distância, gritava para dentro, mas a próxima curva estava ainda a uns bons metros. Caminhava agora pela berma, não fosse um automóvel aparecer de súbito e dar-me uma pancada que me tornasse parte do alcatroado, por muito pateta que possa agora parecer. Adiante, reparei numa falha notável no arvoredo, havia um trilho saindo da estrada. “Villa Flores” escrevia, em letras de metal pintadas de amarelo, no pequeno muro, escondido entre as folhas – Não admira que não tivesse notado antes, murmurei.

Histórias de Fantasmas - Parte II

Estava em “Vale de Gaios”, lembrando-me do sinal que vi uns metros antes de entrar na aldeola. - Que apropriado… – Deixei escapar num tom auto-comiserativo, pois só um gaio (espécie de ave) pensaria em cá parar. O calor ainda se fazia sentir e precisava agora de reforçar energias se queria chegar antes da meia-noite. Dirijo-me ao café (taberna), que tirando o cruzeiro, era a edificação que mais se destacava naquele largo. A madeira torcida e remendada da tabuleta escrevia em relevo, outrora guarnecido com tinta branca, “Casa de Pasto – Os Três Tios”. A porta, uma composição de tábuas grossas e escuras, estava escancarada e lá dentro o ar era fresco, convidando a ficar por mais tempo que o inicialmente previsto.

Falei com o serviçal ao balcão e pedi-lhe por direcções. – Então o J. disse-lhe isso?! – referindo-se à destruição do acesso à nacional. – Vê-se me’mo que nunca sai daqui. – exclamou ironicamente. – Aquilo ‘tá amassado, porque o fogo não perdoa, ma’ na tá que na’ se possa. – Era o que estava a precisar de ouvir… – Pêra aí – interrompeu ele. – Pa’ um carrito como o seu aquilo é capaz d’ na’ passar.Quem não sai daqui sou eu. – Pensei com alguma irritação para os meus botões. Voltei para o carro e tomei direcção inversa. Se por acaso se perder pergunte pelo Flores, porque aqui todos me conhecem – Ouvi ainda à saída.

As árvores tentavam fechar a luz alaranjada que irradiava do sol poente e uma brisa fresca alimentava o meu respirar. Expirava também um certo alívio por já estar fora daquela pitoresca aldeia, não que parecesse desagradável, no entanto, detinha um certo ensombro, como se devesse permanecer escondida do tempo. Enclausurada no passado.

Histórias de Fantasmas - Parte I

Há muito tempo, viajava para norte já tardiamente, por uma estrada secundária bem no interior. As árvores inclinavam-se para o alcatrão, agrupando-se numa espécie de túnel que escondia o horizonte do caminho. Os raios do sol das 5 ganham uma tonalidade esverdeada, mesmo que aparecendo inconstantes, ao cruzar o tecto folheado pelos primeiros dias de Setembro. A nostalgia que o cenário invoca convida ao saudosismo e ao ócio. Quase paro para observar os grãos de poeira pairando no verde acastanhado da vegetação ao fim de mais uma curva. Quem me dera olhá-los.

A jornada continua e o passeio bucólico desemboca abruptamente num vilarejo. Os últimos metros de alcatrão levam-me ao largo da aldeia, onde o típico cruzeiro se ergue imponente. Algumas casas de pedra relevam à vista, enquanto procurava por alguém que me reencaminhasse para a estrada nacional. Estaquei subitamente defronte de um velhote que se me assomou ao caminho. – Não o vi, desculpe lá! Não se assustou, não? – Nem franziu, enquanto se desviou do carro, assobiando enquanto me ignorava completamente. – Desculpe incomodar, mas pode dizer-me como chegar à nacional? É que vim da serra dar aqui e não estou a ver nenhum lanço de estrada. – E não vai ver tão depressa. - Retorquiu o homem. – A estrada é para ali. – Apontando para uma rua que se esgueirava para baixo. - Mas já não há. O fogo destruiu tudo o ano passado. Tinha que voltar atrás, pensei. Agradeci e estacionei para consultar o mapa.


domingo, 14 de junho de 2009

Tão Difícil Como Respirar - Parte 2 de 2: O Agnóstico/ Ascensão

As paredes cerram em redor e o ar rareia, quente e húmido…

Na contagem final procuro nas mangas um trunfo escondido, será só isto que terei para mostrar? Sempre atirei alto para atingir o centro, a perfeição. Só queria ser melhor, ganhar sempre e com honra. São necessários sacrifícios para chegar a certos fins e o trabalho é importante, desde que cada vez que faça um esforço para atingir um patamar me consiga comprometer a atingir o próximo com menos dificuldade. “Melhorar no desempenho de uma vida”: soa a algo maquinal e pouco altruísta, talvez até o seja, pois deixei de contribuir para o próximo.

Quem é o próximo? Será com certeza aquele que me vai julgar por tudo o que fiz, não aceito o céu ou o inferno, mas tem que existir um julgamento, um juízo de imparcialidade por um ser superior. Alguém tem que apontar a estatística, porque é esse o grande prémio: deixar que as nossas acções falem por nós e nos elogiem por um tempo bem empregue. É assim que agimos, tão racionalmente quanto pudermos provar que é isso que nos distingue dos outros. No derradeiro suspiro virá um sopro de felicidade por ver o ciclo concluído. Onde se escondeu a felicidade? Para onde foi a magia da vida? E num momento ela volta, num pequeno gesto, num grande ou até no espelho. Numa lembrança de dias melhores, num exemplo de total altruísmo e abnegação ou, simplesmente, ao constatar que passei mais um dia, vivo e de boa saúde. A razão chega por trás de um véu branco, a solução esteve sempre ao alcance e quanta energia se dispensou em catarses, quanto de mim perdi quando me rendi à desgraça…

Tão Difícil Como Respirar - Parte 1 de 2: A Gaiola/ O Ciclo de Verão

Quando chega o Verão é normal pensar em praia, bebidas frescas incessantemente escorrendo pela garganta, raparigas esbeltas pavoneando-se em fato de banho; a realidade é um pouco diferente – não é como nos spots publicitários em que toda a gente leva uma vida perfeita – há tudo o resto: o calor tórrido que convida ao ócio, as paredes que parecem encolher-se e comprimir o ar em cada sopro, o suor que cai às bátegas e arde nos olhos como se de álcool se tratasse. É nesta disposição que acordo: nos olhos cresceram ramelas que não se compadecem do joão-pestana; por cada volta o chiar irritante da cama quebra o silêncio que se instala entre condutores de madrugada e o lixo humano que se arrasta para o ébrio repouso de uma noite bem diurna; e quando finalmente desisto e olho para o relógio que marca 5:55 reparo que estou bem desperto e exijo do juízo o exercício matinal, ao encarregá-lo de apurar se o sonho que agora desaparece da vista é desta noite ou de qualquer outra.

Quando os primeiros raios de sol irrompem pelas frestas dos estores já estou atordoado o suficiente para exigir da noite o descanso que me subtraiu, pelo que agora já é tarde, esse tal repouso paira no limbo da hedonística diurna e bem podem acreditar que já nem as televendas me salvam. É mais ou menos por esta altura que depreendo a minha inutilidade para o resto do universo: não tenho que fazer nem para onde ir, por oposição a toda a gente que conheço e também não conheço ninguém que sacrifique umas horas para tomar um revigorante copo de preguiça comigo. O ar começa a rarear… se pudesse ver as pupilas tenho a certeza que estariam dilatadas… as forças sucumbem à minha dieta de comida de plástico e volto a refastelar-me sobre a cama desfeita… pensamentos mórbidos aparecem-me ao caminho… a respiração torna-se lenta e ligeiramente ofegante, no entanto, sem nunca parar de vez… acolhi sem reservas o ciclo de Verão.